NOTAS AUTOBIOGRÁFICAS

... Se fores bonzinho, quando cresceres, mandar-te-ei ter com o santo profeta”.

Estas palavras pronunciadas pela minha mãe, revivo-as frequentemente quando dela me recordo: o Santo Profeta era o Padre Pio que a minha mãe me ensinava a descobrir para que eu, seu décimo filho, reconhecesse e amasse no Profeta, o enviado de Deus.
As histórias maravilhosas dos prodígios e da bondade do Padre Pio tornaram-se, na boca da minha mãe bem-amada, assunto de conversas. As suas conversas revelaram em mim o interesse de conhecer pessoalmente aquele Profeta, que a minha mãe prometera dar-me como guia para o conhecimento de Deus. O interesse por conhecer o Padre Pio cresceu conjuntamente com o desejo de depressa ser grande. Nasci a 9 de Abril de 1926, em San Felice sul Panaro, onde os meus pais geriam uma moagem, junto com outros sócios. O meu pai era um trabalhador infatigável e, por isso mesmo, vivia num ambiente pouco propício para cultivar e aumentar o conhecimento dos problemas do espírito.
A vida do Espírito de Deus era alimentada continuamente pela fé e pelo amor da minha mãe. Do meu amado pai muitos se recordam e recordarão as excecionais provas de amor ao próximo, realizadas com extrema humildade. Os dons de Deus ao meu pai, em virtude da boa-fé do seu carácter levaram-no por vezes a excessos de confiança no homem e a ser generoso com pessoas de má fé, que disso abusaram. O mandamento de Deus «ama o próximo como ti mesmo» acabou por tornar-se, no grande coração do meu pai, um amor ao próximo maior do que a si mesmo. Por estes motivos, nos anos que imediatamente precederam e seguiram o meu nascimento, os meus pais passaram por gravíssimas dificuldades. Tiveram que recomeçar do nada ou quase, após uma vida de pesado labor, com nove filhos para criar. A Providência Divina, constantemente invocada e amada pela fé inquebrável da minha mãe, não tardou a estender a sua mão, a dar o seu conselho. O conselho do Espírito Santo chegou à casa de San Felice, onde o esperavam, via uma carta do Padre Pio, invocado que fora por uma mãe e por um pai de nove filhos, humilhados pela indiferença dos homens e perante a perda do fruto do seu trabalho.
O Espírito Santo aconselhou a minha mãe a seguir as palavras do seu Profeta, o humilde frade de Pietrelcina, então pouco conhecido, e ainda menos reconhecido como homem de Deus, pela maioria das pessoas. O conselho dado pelo Padre Pio foi de que o meu pai não escutasse os maus conselheiros que tentavam sugerir-lhe um caminho errado.
O justo caminho, traçado pela Providência, era a mudança da família para Pavignane. O Padre Pio assegurava que nessa pequena cidade não faltaria trabalho e que o meu pai seria recompensado por todos os sacrifícios e amarguras que passara no seu anterior trabalho. Tinha dois anos quando fui para Pavignane e foi durante os cinco que ali passei que ouvi pela primeira vez a história da vida maravilhosa do Padre Pio.
Com infinda admiração imaginava o homem misteriosamente fascinante e aprendi a amá-lo e a senti-lo como membro vivo da minha família, guia invisível e amado da minha vida. Em 1933 o Padre Pio enviou a minha mãe um segundo conselho. Uma parte da minha família, incluindo eu e os meus pais, deveria mudar-se para San Matteo della Decima, freguesia de San Giovanni in Persiceto. A minha mãe viria a renovar a promessa que fizera quando era pequeno, mandar-me ter com o Profeta de Deus, sete anos depois da nossa mudança para Decima.
Tinha 14 anos quando encontrei o Padre Pio pela primeira vez. A realidade veio a revelar-se à altura das expectativas que, segundo o que minha mãe contava, deveria ser excecional. Não conseguia compreender qual era a via misteriosa que tinha dado a minha mãe tanta consciência, fé e amor pelo instrumento de Deus que poucos reconheciam como tal. San Matteo della Decima fica a cerca de seiscentos quilómetros de San Giovanni Rotondo. A minha mãe nunca falara com o Padre Pio. Só uma vez, em 1949, foi a S. Giovanni Rotondo para uma breve visita. Da parte de pouquíssimas pessoas, ao longo das minhas numerosas viagens a San Giovanni Rotondo, pude ouvir palavras tão sapientes e convincentes, como as de minha mãe, para dar a conhecer e amar no Padre Pio, o Profeta enviado por Deus. Este mistério foi-me esclarecido pelo próprio Padre Pio anos após este primeiro encontro que com ele tive.

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